
10 km da A Tribuna. Uma das provas de pedestrianismo mais prestigiadas do país. Aqui, na Ilha de Caras (pálidas), é um grande evento. A cidade pára, os moradores vão para as ruas aplaudir os participantes. Enfim, é uma festa. Num determinado ano, os funcionários da clínica decidiram participar fazendo um pelotão de caminhada, promovendo a saúde. Caminhada? Tô dentro! Rainha do sedentarismo que sou jamais poderia correr 1 km, quanto mais 10! A clínica deu os uniformes para quem fosse participar, todos já estavam no ritmo de prova semanas antes. Todos empolgados, inclusive eu. Acordei cedão naquele domingo de dia das mães, vesti todo o uniforme, coloquei meu boné e fui para a Rua São Francisco, em frente do prédio da A Tribuna, ´renomado’ jornal local. Mó clima legal de festa. O pessoal da clínica todo reunido num canto, se alongando, se aquecendo, batendo papo. ‘Maior’ legal!!!! Chega a hora da prova, todo mundo se prepara e é disparado o tiro da largada. Antes de eu conseguir piscar, o povo saiu em disparada. Pensei comigo: QUE DIABOS ELES ESTÃO FAZENDO CORRENDO ASSIM??? Antes mesmo de conseguir pensar numa razão, comecei a correr, seguir o fluxo. Ao chegar em frente da rodoviária, umas 2 quadras do ponto da minha partida, minha mente começou a surtar. Cheguei a olhar para o terminal de ônibus e cogitar voltar para casa de busão, mas eu não carregava nenhum dinheiro comigo. Ah, que saudade do tempo de adolescência, onde eu carregava os passes de ônibus dentro do tênis! Continuo o meu ‘calvário’ e encontro com a Daisy no túnel. Ela me deu a brilhante dica de inspirar a cada dois passos. Me digam uma coisa, vcs já pensaram em como vcs respiram? Tentem fazer isso enquanto vcs correm! É impossível! É exaustivo! É foda! Segui em frente. Lá pela rua Lucas Fortunato avistei um ponto de água. Corri até ele e.....NADA. Não tinha mais água! Só os saquinhos rasgados no chão. Naquela hora, senti o maior desespero da minha vida! Sem água, sem $$$ pro busão, sem oxigênio para oxigenar meu cérebro. Ah, q dia! E o sol na minha cabeça? Dava pra fritar um ovo ali. Acho q foi nesse dia q voltei a acreditar em Deus, pq deve ter sido ele que pegou na minha mão e me fez continuar (hahahahahahahaah). Por sorte minha a Alê esqueceu de colocar um shorts de lycra embaixo do shorts da equipe e se assou toda. Fingi ter ficado com pena de deixá-la pra trás e fui seguindo o ritmo dela (lento, muito lento)...E assim fomos até o final, 1 hora de 30 minutos depois. O que eu tirei de lição dessa corrida é que: nunca se deve se inscrever numa prova de pedestrianismo se vc não faz esporte nenhum, nunca se deve se alongar loucamente antes de participar de uma prova de pedestrianismo se vc não faz esporte nenhum pois esses serão os músculos que farão vc tomar remédio depois e, de final, NUNCA CONFIE NOS SEUS AMIGOS QDO SE TRATAR DOS 10 KM DA A TRIBUNA!
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