quarta-feira, setembro 27, 2006

Mataram Terri Schiavo

Eutanásia: [do gr. Euthanasia.] S.f. 1. Morte serena, sem sofrimento. 2. Prática, sem amparo legal, pela qual se busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incurável. [Var. pros.: eutanasia. Antôn.: distanásia ou distanasia.], segundo Aurélio, o ‘pai dos burros’. Serena? Sem sofrimento? SEM amparo legal? Aparentemente, a legislação da minha querida Florida, desconhece essa definição de ‘abreviação da vida’. De acordo com meu ‘correspondente internacional’ radicado em Jacksonville-FL, os meios de comunicação americanos nunca usaram o termo eutanásia no caso Schiavo. Me pergunto que termo fora usado: Operação REDRUM? ( REDRUM soletrado de trás para frente é MURDER, assassinato em inglês). Quando ouvi pela primeira vez no Jornal Nacional o caso Schiavo, que dizia que o marido de Terri havia conseguido na justiça o direito de desligar os aparelhos que a mantinham viva há 15 anos, logo visualizei ventiladores mecânicos (que dão suporte de O2 aos que não tem habilidade de respirarem sozinhos), bombas infusoras de medicamentos, monitor cardíaco, oximetro de pulso, uma parafernalha só. Me senti solidária ao marido, por que na minha opinião, ninguém merece ficar em estado de coma plugada a tantas máquinas por tanto tempo. No dia seguinte, comentando com minha mãe sobre o caso, ela me explicou que a moça não estava em coma e muito menos respirava por aparelhos. O aparelho de sobrevivência em questão era uma sonda naso-gástrica, responsável pela alimentação de Terri. Acredito que devido à lesão severa cerebral que Terri sofreu, uma hipotonia da musculatura da boca, responsável pela deglutição (ato de engolir), a incapacitou de se alimentar sozinha. Fiquei indignada. Acho que todos os profissionais da saúde ficaram. Eu sei que os seres humanos têm função muito maior do que fazer ‘fotossíntese’, 15 anos em estado vegetativo é extremamente sofrido para os familiares. Mas a moça respirava voluntariamente, respondia a estímulos, sorria ao ver a mãe. Debati esse assunto com meu ‘ninja preferido’, Fabio Yabu, e ele perguntou se eu era a favor ou contra a eutanásia. Em alguns casos sou a favor, confesso. Eu sou só a favor de “abreviar a vida SEM DOR OU SOFRIMENTO” nos casos de coma comprovadamente irreversíveis com dependência ventilatória. Mas nunca seria a favor de conseguir isso a base de 13 dias de fome e desidratação. Cadê a piedade ao doente? 13 malditos dias! Eu já imaginei isso virando moda. Imaginei todas aquelas crianças das AACDs da vida, portadoras de paralisia cerebral, indo para o paredão, sentenciadas de morte por serem dependentes físicas de locomoção, alimentação ou seja lá o que. Bombardeiem as AACDs então! Seria justo? Criança é ‘café com leite’ nesse caso? Claro que não, as situações são as mesmas. Parem com a insanidade! Não brinquem de Deus. Agora o Dr. Kevorkian* me parece uma santa criatura (*: ele é mais conhecido como Doutor Morte por ser a favor e praticar suicídio assistido em doentes terminais)......................"Agora o braço não é mais um braço erguido num grito de gol / Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante / E todas as figuras são assim, desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais / E assim, dizem, recontam a vida / Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos, e aí estou eu pelas ruas, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo / uma forma nebulosa de luz e sombra / Eu sou uma estrela, agora eu sou uma estrela." (Escutei isso numa música q a Elis cantou...)

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