quarta-feira, novembro 29, 2006

Destino


Hoje eu tive uma conversa muito séria no meu trabalho.
O diálogo aconteceu entre uma mulher de 94 anos e eu, de 20 e poucos (rs...).
O 'jovem' senhora pegou na minha mão direita e perguntou:
- Tá noiva?
E eu respondi:
- Não, ninguém tá me querendo.
Ela gargalhou! Depois de recuperar o fôlego (96 anos, gente!) ela virou para mim e disse:
- Sabe 'fia', quando eu era moça, eu amei muito um rapaz. Só que naquele tempo a moça não podia dizer para o moço como se sentia. Ficava mal vista, sabe?............
(pausa para ganhar fôlego)
.........Ele casou com uma amiga minha e eu tive que viver com isso. Um dia ele soube como eu me sentia e tentou me conquistar. Mas eu não podia, né 'fia'. Ele tava casado! Então eu disse que eu o amei, amava e sempre amaria, mas que nunca as coisas seriam diferentes. Aí, ele me disse que me amou quando jovem. Ah se eu soubesse disso naquele tempo, 'fia'.
Eu comentei (com uma enorme cara de bunda):
-Puxa vida, né? Mas o importante foi que a senhora tocou o barco para frente e não se deixou abater, não é?
Ela respondeu depois de muito pensar:
- Tem que ser 'fia', mas por conta disso eu nunca mais amei ninguém como aquele moço.
E eu fiquei ali parada com uma cara de bunda ainda maior.
Várias coisas passando na cabeça enquanto eu olhava aquela linda senhora de 96 anos que não tem ninguém na vida.
Como um simples momento pode definir o resto da nossa vida?
Aquela falta de comunicação de 1900 e Guaraná de Rolha definiu como seria os dias da vida dessa mulher.
Eu vi a história dela refletir a minha, dadas as suas proporções.
O que impediria termos o mesmo desfecho da nossa história?
Aproveito a oportunidade e digo: CIDO MOSKA, eu te amo e sempre vou te amar...

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