Meu segundo melhor presente de Natal foi um rádio e toca fita da Phillips no ano de 1990 (digo segundo porque nada bateu meu Atari de 1986. Pac Man rocks!).
Esse meu radinho foi grande companheiro das tardes solitárias quando eu me mudei para Sorocaba em 1991.
Toda tarde, depois da lição de casa, eu ligava o rádio na Ipanema FM. Não me lembro quais os grandes hits da época, mas me lembro perfeitamente que uma banda me chamou a atenção: a Legião Urbana.
Banda formada em Brasília por Renato Russo, Marcelo Bonfá, Renato Rocha e Dado Villa-Lobos. Depois do terceiro disco (na época era disco ainda. Rs...) o Renato Rocha caiu fora e a banda se reduziu no formato de trio. Honestamente, esse membro não fez muita falta tendo em vista que o principal Renato também tocava baixo e cumpriu esse papel com a saída do cara.
Eu já tentei definir porque eu me apaixonei pela Legião. A voz do Renato não é das melhores, ele não era cabeludo, loiro, dos olhos azuis.....................porque? porque? porque?
Na verdade não existe uma explicação paupável. Só sei que as letras das músicas falavam por mim. O Renato Russo foi um cara que sabia escrever como ninguém. Parecia que suas músicas contavam a história das nossas vidas.
Na época que eu descobri a banda, ser o máximo era saber a letra de Faroeste Caboclo inteirinha de cór. Imaginem, quase 10 minutos de música onde não se repete nenhuma estrofe!!!! Não é para qualquer um! Minha irmã Vanessa demorou anos para decorar a música toda, só sabia a parte do "Sofreeeeeer...." que é a última palavra cantada! Rs.....
Em Dezembro de 1994, a própria Vanessa me liga dizendo que vai ter show da Legião em Santos. Só acreditei quando cheguei na casa dela e vi o anúncio do jornal. PIRAMOS!
Eu com 15 anos e ela com 14, tivemos que fazer um puta teatro para convencer nossas mães a nos deixarem ir ao show na saudosa Reggae Night. Dissemos que seria presente de Natal, Aniversário, Páscoa e não precisaríamos ganhar nada no ano de 1995. Eis que as duas nos deram 15,00 para cada (QUINZE REAIS!!!!!) e fomos para o shopping comprar nossos ingressos. Minha amiga Mariucha, que morava em Sorocaba, veio para Santos só para o show.
SURREAL!!!!!!! Foi o último show da Legião.
"Hey, menino branco, o que você faz aqui, subindo o morro prá tentar se divertir..." (Mais do mesmo - 1987)
Subimos o morro da Nova Sintra com um sorriso rasgado de orelha a orelha.....
O show foi maravilhoso...........O Renato ficou meio puto porque jogaram uma lata de cerveja no palco e ele parou de cantar Faroeste Caboclo no meio. Ficou deitado no chão fumando um cigarro. E a galera ao delírio cantando sozinha, acompanhando os instrumentos.Nunca vou me esquecer esse dia.
14 de Janeiro de 1995.
A banda lançou 8 discos, o penúltimo deles com lançamento junto a morte do Renato, o Tempestade, com o hit Via Láctea que tocava na rádio a cada segundo. São tantas as músicas que fica difícil dizer qual foi a melhor. Mas definitivamente as músicas eram muito boas. As grifadas em verde viraram hinos. Qualquer um que viveu no fim da década de 80 ne início dos 90 que entrar numa rodinha de violão, saberá cantar essas músicas.
Legião Urbana (1984): Será, A Dança, Ainda é Cedo, Geração Coca-Cola, Soldados, Teorema, Por Enquanto.
Dois (1985): Daniel Na Cova Dos Leões, Quase Sem Querer, Eduardo e Monica, Tempo Perdido, Índios.
Que País É Este 1978/1987 (1987): Que País é Esse, Química, Eu Sei, Faroeste Caboclo, Mais do Mesmo
As Quatro Estações (1989): Há tempos, Pais e Filhos, Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto, Meninos e Meninas
V (1991): Metal contra as Nuvens, O Teatro Dos Vampiros, Sereníssima, Vento no Litoral, O Mundo Anda Tão Complicado
Descobrimento Do Brasil (1993): Vinte e nove, Pereição, Giz
Tempestade (1996): A Via Láctea, Dezesseis, 8 de julho
Uma Outra Estação (1998): Comédia Romântica, Antes Das Seis
(Ouça no volume máximo.......)
É uma pena que daqui para frente só teremos remakes das músicas, versões ao vivo e nada mais de novo dessa grande banda. A melhor de todos os tempos.
"Não vá embora, fique um pouco mais. Ninguém sabe fazer o que você me faz...."(Teorema, 1984).
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